Estudo revela que indivíduos com hérnia discal alteram a sua forma de caminhar
Sexta-feira, 10 de abril de 2026Um estudo exploratório conduzido por uma equipa de investigação do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), em colaboração com o Hospital da Luz Setúbal, aborda uma perspetiva mais abrangente sobre a hérnia discal lombar, uma condição frequente da coluna vertebral que pode provocar dor intensa nas costas e nas pernas.
A investigação foi desenvolvida por André Castro (ESTSetúbal/IPS), Rita Fernandes (ESS/IPS), Inês Mendes (estudante do mestrado em Engenharia Biomédica do IPS) e Nuno Cristino, neurocirurgião no Hospital da Luz Setúbal. A equipa analisou não só exames médicos, mas também outros parâmetros clínicos, para além da forma como os doentes caminham, revelando que a relação entre estes fatores é mais complexa do que se pensava anteriormente
O estudo comparou um grupo de doentes com hérnia discal lombar com indivíduos saudáveis, recorrendo a ressonância magnética, raio-X, questionários de avaliação da dor e incapacidade, bem como a uma análise detalhada da marcha. Os resultados demonstram que, de forma geral, os doentes apresentam alterações claras na forma de andar: caminham mais devagar, dão passos mais curtos e permanecem mais tempo com ambos os pés apoiados no chão, um padrão que sugere uma estratégia de proteção para reduzir a dor ou a sensação de instabilidade.
Contudo, a relação entre a intensidade da dor e as alterações da marcha não é consistente em todos os casos. Alguns doentes com dor intensa mantêm um padrão de marcha próximo do normal, enquanto outros, com sintomas menos severos, revelam limitações mais evidentes.
Outro dado relevante, prende-se com a discrepância entre os resultados dos exames de imagem. O raio-X e a ressonância magnética nem sempre apresentam medições coincidentes, o que pode ser explicado pelas diferenças de posicionamento do corpo durante os exames, em pé ou deitado, e pelas características específicas de cada técnica.
Perante estes resultados, os autores defendem que a avaliação do utente com hérnia discal lombar deve ir além da avaliação típica, e incluir uma combinação de dados clínicos, imagiológicos e funcionais, envolvendo a análise da marcha, que permite uma compreensão mais precisa do impacto da doença em cada utente. Apesar dos contributos relevantes, os investigadores sublinham que este é um estudo exploratório, com recurso a uma amostra reduzida, pelo que os resultados devem ser interpretados com alguma reserva. Ainda assim, os dados reforçam a importância de uma abordagem multidimensional no diagnóstico e acompanhamento desta condição.
Este trabalho abre caminho para futuras investigações e poderá contribuir para melhorar a avaliação clínica e o desenvolvimento de tratamentos personalizados para pessoas com hérnia discal lombar, com impacto direto na sua qualidade de vida.
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